Como a Lua, por Duda Martins

 

 

 

Foto: Taveira Júnior

Foto: Taveira Junior

 

 

Jornalista por formação, blogueira por opção e atriz de corpo e alma. Idealizadora do blog Meros Espectadores.

Jornalista por formação, blogueira por opção e atriz de corpo e alma. Idealizadora do blog Meros Espectadores.

 

Como a Lua

Por Duda Martins

Começo meu texto saudando os grupos de teatro que se aventuram a montar musicais. Numa cidade rica de ritmos como a nossa, além de inúmeros talentos que temos, o teatro e a música deveriam andar sempre juntos, de mãos dadas.  Por isso fiquei feliz de ver a iniciativa de José Manoel Sobrinho, de costurar o espetáculo com uma grande diversidade de sons e melodias.

Como a Lua fala dos ritos de passagem da vida. Aborda nascimento, vida e morte. Pode parecer pesado para crianças, mas a mensagem não toma contornos densos. O universo indígena de Paya e Calon, um casal de indios é um bom aliado para tratar a temática. O dualismo apresentado por um deus malvado e um deus do bem revelam um pouco mais da cultura indígena, o que se torna muito curioso às crianças. Desnecessário, no entanto, fazer a troca de figurino no palco e “desnudar” a indiazinha. O figurino mostrava que estava nua embaixo do colar e passei a peça inteira torcendo que o acessório não saísse do lugar, do contrário as crianças veriam o que não precisavam ver.

 

 

Foto: Taveira Junior

Foto: Taveira Junior

Personagens contemporâneos traçam um paralelo com o que acontece na realidade dos índigenas. Se o Paya gosta de brincar, fazer piruetas, brincar com os animais (interpretados pelos próprios atores) os meninos da cidade brincam de tirar fotos no celular, beijam na boca, e são mais erotizados.  A história, por vezes, de tão fragmentada, fica confusa. Não é claro, por exemplo, como o Paya chega até os meninos da cidade.

Foto: Taveira Junior

Foto: Taveira Junior

O espetáculo se desenrola com muita música, o que ajuda muito a manter a energia da peça. A impressão que dá é que quando a música  para, o ritmo cai um pouco. Mas é muito legal ver o talento dos artistas em cena, se revezando em vários instrumentos, às vezes numa mesma música. Samuel Lira se saiu bem em compor melodias diferenciadas, ousar com novos instrumentos. Mas, o tom tirado em algumas canções é baixo demais, o que faz as vozes dos atores sumir em alguns momentos. Destaque ainda para o cenário, luz, figurinos e adereços, que deixam o espetáculo esteticamente muito rico.