Le Petit Grandezas do Ser, por Álcio Lins

Foto: Leandro Lima

Foto: Leandro Lima

Álcio Lins por Duda Martins: Álcio é um artista, em essência. Daqueles que passa na rua e cata o lixo para transformar em obra de arte. Formado em psicologia, largou tudo para estudar artes plásticas e, enfim, fazer o que gosta: arte. O anonimato ainda não permitiu à cena pernambucana conhecer este grande maquiador, cenógrafo, ator, autor, diretor, bonequeiro, entre tantas virtudes pessoais. Como Mero Espectador, ele dá sua opinião sobre a peça Le Petit Grandezas do Ser, que estreou na última semana dentro da programação da 3ª Mostra Marco Camarotti de Teatro para a Infância e Juventude.

Formado em Psicologia, Álcio Lins é, atualmente, estudante de artes plásticas na UFPE. Já teve a oportunidade de trabalhar em alguns espetaculos da cena Pernambucana comobonequeiro, entre eles, “O Baile do Menino Deus” e o músical “Sonhador”. Tem como mestres dentro do universo das formas animadas Antero Assis, Maria Oliveira, Rita Carelli, Marcondes Lima, Fábio Caio, Isabel Concessa, AgnesLimbós, Marcos Caetano Ribas, Victor Antonov, Pablo Olias entre outros. Hoje trabalha na rede particular de ensino como professor, mas ainda atua como diretor, cenografo, maquiador, ator e autor.

Formado em Psicologia, Álcio Lins é, atualmente, estudante de artes plásticas na UFPE. Já teve a oportunidade de trabalhar em alguns espetaculos da cena Pernambucana como
bonequeiro, entre eles, “O Baile do Menino Deus” e o músical “Sonhador”. Tem como mestres dentro do universo das formas animadas Antero Assis, Maria Oliveira, Rita Carelli, Marcondes Lima, Fábio Caio, Isabel Concessa, Agnes
Limbós, Marcos Caetano Ribas, Victor Antonov, Pablo Olias entre outros. Hoje trabalha na rede particular de ensino como professor, mas ainda atua como diretor, cenografo, maquiador, ator e autor.

“Le Petit Grandezas do ser”, não é um espetáculo de formas animadas, mesmo fazendo uso de algumas delas. O uso do teatro negro, o teatro de sombras e mesmo a manipulação direta são pontuais, a encenação é de fato um trabalho de clown e técnicas de circo. O trabalho tem como pano de fundo a obra de Antoine de Saint-Exupéry, mas não espere encontrar O Pequeno Príncipe do livro. A proposta é outra, o que me faz pensar, que não usar o livro teria dado mais liberdade e dinamismo a peça. A história de um jardineiro e sua flor é bem mais interessante que a proposta de trazer o personagem citado em símbolos espalhados no cenário, e que eu, espectador, não consigo ver na peça.

O ator faz um clown divino, infantil e bufão, porém longe de ser desagradável ao apontar de forma grotesca as características do humano, é capaz de comer cocô e ser acometido de flatulencia (alguem já viu o pequeno príncipe soltar pum?), com a inocência de uma criança. Outra questão intrigante é o cenário, que por sinal é muito bom, prático, simples e usual. É esteticamente belo mas usado no espetáculo de forma confusa, pois a parte de  dentro da casa, que é uma porta, dava para o lado de fora e a parte de fora, para o lado de dentro!

Por fim, ressalto a questão do ator-manipulador, que na peça, por muitas vezes, esquecia do objeto e acabava se colocando em cena. Ator-manipulador é sombra, a sombra é neutra, como diz Souza:

“Como forma substituta, o katashiro (objeto) necessita de algo que o ligue à essência original do humano, ao chão, à terra. Para isso, a presença e a conexão com a forma humana, Hitogata, é indispensável, pois, quando ela institui essa relação com essa entidade que pode ser posta no lugar de outra coisa (subistituição), ressalta-se a importância da referência, da aparência e da estrutura do corpo do manipulador que, nessa junção, assume amu espécie de papel de sombra (Kage em japonês). Uma função explícita, que fica exatamente nitida pelo fato dos manipuladores se vestirem de negro (Kuroi em Japonês), justamente para evocar a figura de uma sombra que acompanha e que compõe a totalidade do corpo do objeto. Só que, mesmo oculto pela vestimenta negra, a presença física do manipulador continua visível no palco porque, diferente do Teatro Negro de Praga, não há um fundo negro que o mimetize da visão do público – frisando ainda mais a metáfora do corpo formado pela união de manipulador e objeto porque como no corpo real, a sombra é sempre possível de ser vista. (SOUSA, 2005:53)”

Espero ter sido útil e ter feito uma critica construtiva enquanto “mero espectador”, é um exercício árduo esse. Meu conselho é: vão ao teatro, assistam “Le Petit Grandezas do Ser”, divirtam-se, porque é divertido, e concordem ou discordem de mim. E vamos aplaudir de pé essa brava gente que faz, porque para isso é necessário coragem.

FICHA TÉCNICA:

Equipe Principal

Damiano Massaccesi (Ator)
Quiercles Santana (Encenador)
Andrêzza Alves (Assistente de Direção / Produção)
Ana Paula Sá (Dramaturgismo)
Kleber Santana (Direção Musical)
Luciana Raposo (Iluminação)
Ana Paula Sá, Andrêzza Alves, Damiano Massaccesi, Quiercles Santana (Direção de Arte)
Andrêzza Alves, Flávia Fernanda, Quiercles Santana, Rafaela Fagundes (Manipulação de Objetos)

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3 comentários em “Le Petit Grandezas do Ser, por Álcio Lins

  1. Lívia disse:

    Fiquei com vontade de assistir…

    p.s: Conheço Álcio, é um grande artista…de corpo e alma. Trabalha com amor e integridade, coisa rara hoje em dia.

  2. Ana Paula Sá disse:

    Em nome da Cia Circo Godot de Teatro, agradeço a gentileza de Álcio Lins, e a presença de Meros Espectadores. É muito importante para nosso processo criativo ouvir as opiniões pós-espetáculo, principalmente as divergentes. Por mais que critiquemos nosso próprio trabalho, um olhar isento é capaz de enriquecer bastante nossa percepção daquilo tudo.

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