Passando o texto: com Erivaldo Oliveira

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De coroinha a Madame Cri Cri. Erivaldo Oliveira, eleito Melhor Ator de 2013 pela Associação Produtores Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe) por sua performance em Viúva Porém Honesta, nasceu em Caetés, fez teatro em igreja e sonhava ser padre. Agora, aos 26 anos, ainda não procurou saber, mas acha que foi jubilado na faculdade de cênicas porque, “graças a Deus”, não para de trabalhar nas produções do Grupo Magiluth, um dos mais ativos do Estado. Na seção Passando o Texto, o Blog Meros Espectadores entende o olhar de Erivaldo sobre vários aspectos da vida artística.

ME – De onde você surgiu? (Rsrsrs) Para mim, foi no Canto de Gregório. Depois, fiquei só acompanhando o teu trabalho de ator, tua evolução e simpatia em cena e fora de. Mas você é de onde, estudou onde, como foi a descoberta do teatro?

ERIVALDO – (Rsrsrsrs) O Gregório foi quando eu comecei a trabalhar profissionalmente com o teatro. Nasci em Caetés e fui morar em Garanhuns. Comecei fazendo teatro na igreja, onde fui coroinha até os 19 anos. Quando era pirralha queria mesmo ser padre. Depois entrei no grupo de teatro do colégio em que estudava, o Diocesano, e até 2006 me dediquei ao teatro infantil, participando de muitos festivais estudantis. O Mário Sérgio também fazia parte desse grupo da escola e nos juntamos para fundar o grupo Abre as Pernas Cacilda!, no qual Pedrinho (Pedro Wagner, irmão de Mário Sergio) também atuou no espetáculo SK20 Miligramas. Aí chego no Recife em 2010 para fazer Artes Cênicas na UFPE.

ME-  E o convite para o Magiluth?

ERIVALDO – Ainda em 2010 recebi o convite pra fazer o Canto de Gregório. Para mim foi muito inesperado, porque eu ainda estava ainda fazendo a faculdade e já ia começar a trabalhar com um grupo tão legal assim. Mas o processo de construção da peça foi muito difícil. Era muito estranho montar com aquelas pessoas se conhecendo, o processo de construção deles era muito diferente do que eu estava acostumado. Eu costumava atuar na caixa preta, e o estilo do Magiluth era muito estranho para mim. Eu voltava dos ensaios em crise e foram nove meses de abuso (Rsrsrs). Mas ainda com o processo de Gregório rolando, começaram os ensaios do Aquilo (Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você, 2011), que era o nosso cano de escape. O processo dessa peça foi muito mais leve, divertido. Então comecei a me integrar mais ao estilo do grupo.

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Espetáculo Luiz Lua Gonzaga

ME- Antes de chegar aqui, você tinha uma visão a respeito do teatro feito no Recife? Essa leitura mudou depois da tua vinda?

ERIVALDO – O contato que eu tinha com o teatro de Recife era com as produções estudantis. Mas lá em Garanhuns não tinha muito acesso. Nestes dois anos que estou aqui, fui assistir algumas coisas. Eu acho que o teatro de Recife deveria arriscar, procurar novas experiências. Sair da zona de conforto e apostar mais na experimentação. Não adianta o teatro ter uma estrutura, uma forma e simplesmente essa forma ser reproduzida, reproduzida. Acho que os grupos, as produções poderiam buscar novos focos.

ME – Fala um pouco das tuas referências. 

ERIVALDO – Assisti Rainhas e O Idiota da Cibele Forjaz e achei incrível o trabalho dela. No Magiluth falamos muito em Christiane Jatahy. Acho também que a Cia Brasileira faz um trabalho filha da mãe.

ME – Você acabou de ganhar o prêmio Apacepe de melhor ator, com a performance em Viúva Porém Honesta. O que significa este título pra você?  

ERIVALDO – Minha vida mudou 100%! Eu não consigo ir nem na esquina. (Rsrsrs). Estou brincando. Fiquei feliz porque significa que alguém achou o seu trabalho legal,é um reconhecimento, e é legal para o currículo. Mas nada que me suba à cabeça. Na minha opinião, seria muito difícil dizer que um de nós foi melhor no V.P.H porque, sinceramente, acho que alcançamos um nível muito parecido. Enfim, levei o troféu pra mãe, ela colocou na estante e fica me cobrando as reportagens (Rsrsrs).

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Como Madame Cri Cri, em Viúva Porém Honesta

ME – E o que significa, em termos gerais, ser “um melhor ator”? Quero dizer, dentro deste ofício, o que é preciso para ser “o melhor”?

ERIVALDO – Trabalhar. E não só isso, principalmente compromisso. Você não sai do ensaio e volta pra casa livre. O trabalho te acompanha 24h. Quando você tem o tempo integral dedicado para o trabalho, você descobre tempos na encenação, você começa a prestar atenção no outro, na galera todinha que está assistindo. Você se torna apenas uma parte daquela corrente toda. Sensível ao outro, à cena. É trabalho e sensibilidade.

ME – Qual dos personagens interpretados em V.P.H, você acredita ter sido o responsável pelo prêmio?

ERIVALDO – Acho que a Madame Cri Cri. O povo que vem falar comigo fica imitando o “oui” dela (Rsrsrs). Mas eu também gosto muito do Pardal. Me deixa com uma dor da gota nos ombros, mas eu gosto.

ME – Onde você encontra inspiração na hora de construir um, ou vários personagens, como no caso desta montagem?

ERIVALDO – No Víuva a gente criou muito a partir de alguma coisa. A voz de Madame Cri Cri quem começou foi Lucas, mas a estrutura corporal, fui eu que imprimi. O Dr. Lupicínio começou a partir de uma postura. Depende muito da produção. No Aquilo, a gente fez processos muito diferentes, que partiram a partir das experiências pessoais de cada um. A inspiração não é um negócio que você fecha os olhos e diz: “to inspirado”. Mas quando você vai entendendo as energias que surgem.

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Em O Canto de Gregório

ME – Vamos brincar que, naquela ocasião dos prêmios da Apacepe, você não estava concorrendo. No lugar disto, você era jurado! Para quem você entregaria o troféu de melhor ator?

ERIVALDO – Eu dividiria…(Eu disse a Erivaldo que não valia dividir). (Rsrsrs) Eu daria a Pedro Wagner. Eu acho que ele é um ator de muita técnica, de precisão. Ele sabe se colocar e tem um entendimento que eu acho que é bem claro. Admiro muito a objetividade com que ele consegue atuar.

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Erivaldo e Pedro, contracenando em Luiz Lua Gonzaga

ME – E depois disso tudo? O quem podemos esperar do melhor ator de 2013?

ERIVALDO – Ahh!! Pode esperar muito trabalho. A gente ta entupido de coisas para fazer. Espero também dê tempo de tomar umas caninhas. (Rsrsrs)

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Erivaldo tomando uma caninha em Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você

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2 comentários em “Passando o texto: com Erivaldo Oliveira

  1. é lindo nosso querido!

  2. Chico Ludermir disse:

    Viva Erivaldo! Viva Duda!

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